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Alimentação Consciente e Natural, por Daniela Ricardo - Parte 2

Hoje trazemos a segunda parte de um texto excelente, escrito pela fabulosa Daniela Ricardo. Como referimos no post de ontem, este texto é tão rico, que decidimos dividi-lo em 3 partes. Hoje aprendemos um pouco mais sobre Hidratos de Carbono e Proteínas.


"Os Hidratos de Carbono (Os Açúcares)


Porque os cereais integrais são tão importantes?


Os cereais, também conhecidos por hidratos de carbono são essenciais para a nossa atividade diária, pois são a base para adquirir glicose, um nutriente fundamental para alimentar as funções do nosso organismo. Assim sendo, a base da nossa alimentação devem ser os hidratos de carbono, mas nem todos eles são saudáveis e têm o mesmo comportamento no nosso organismo. Comer hidratos de carbono, provenientes de batatas, arroz branco, açúcar, não é a mesma coisa que comer hidratos de carbono provenientes de cereais integrais (como arroz integral, millet, cevada).


Apesar de a base da nossa alimentação dever ser os hidratos de carbono, é necessário ter em consideração o efeito no nosso organismo dos diferentes tipos de açúcares.


Como já foi dito os hidratos de carbono, ou os açúcares, são a nossa principal fonte de energia, mas possuem outras funções importantes como serem o melhor combustível celular, proporcionando a energia química necessária todas as funções corporais tais como a manutenção da temperatura, a digestão e assimilação de nutrientes, o pensamento, …


Existem vários tipos de açúcares ou de hidratos de carbono, de um ponto de vista estrutural.


Monossacarídeos – Açúcares que possuem apenas uma molécula de glicose como é o caso da frutose, que encontramos no mel e nas frutas, e da própria glicose também presentes nas frutas e mel.


Dissacarídeos - Açúcares que possuem duas moléculas de glicose, como é o caso da lactose, proveniente dos lácteos, a sacarose do açúcar de cana e a maltose obtida por um processo de hidrólise dos amidos.


Polissacarídeos - Açúcares com mais de duas moléculas de glicose, como o amido proveniente dos cereais.


Assim, pode-se dividir os açúcares de uma forma mais básica e despretensiosa, como açucares simples e açúcares complexos. Sendo os considerados como simples, os monossacarídeos e dissacarídeos, e como complexos os polissacarídeos.


É muito diferente ingerir açúcares simples e açúcares complexos, apesar de no final do processo digestivo todos se converterem em açúcares simples. É importante questionar sobre o que acontece no nosso corpo quando ingerimos os diferentes tipos de açúcares.


Quando ingerimos açúcares simples obtemos energia mais rapidamente. Mas a resposta orgânica é a seguinte: assim que o pâncreas deteta níveis altos de açúcar no sangue (hiperglicemia) segrega insulina, na tentativa de manter os níveis de açúcar normais e desta forma os níveis de glicose (açúcar) tendem a baixar muito rapidamente podendo criar uma hipoglicemia reativa e um consequente armazenamento desse açúcar sob a forma de camada adiposa, geralmente nas zonas do corpo que mexemos menos. A ingestão excessiva de açúcares simples tende a criar um comportamento emocional mais instável uma vez que as nossas emoções estão profundamente ligadas com as flutuações dos níveis de açúcar no sangue e a criar o indesejado “pneuzinho”.


Quando ingerimos açúcares de absorção lenta, ou açúcares complexos a nossa resposta fisiológica não é esta. O que acontece quando ingerimos este tipo de açúcares, provenientes dos cereais, vegetais e leguminosas, é que a obtenção de energia é mais lenta, pois o desdobramento dos açúcares e posterior absorção é bastante mais lenta, por as cadeias serem mais longas. Desta forma o nível de açúcar no sangue sobe numa fase inicial e estabiliza, não atingindo valores elevados de hiperglicemia, não levando a uma resposta reativa do pâncreas para armazenar o açúcar em presente na circulação sanguínea. A obtenção de energia lenta e gradual leva a uma maior estabilidade emocional.


Além de tudo isto, se comermos hidratos de carbono complexos com fibras, como são exemplo os cereais integrais e os vegetais, a absorção destes açúcares é ainda mais lenta e gradual, o que leva a fornecimento constante de açúcar na corrente sanguínea e desta forma a uma estabilidade emocional ainda maior e com menor stress orgânico, pois tudo funciona de uma forma fluida.


As Proteínas


Alimentos ricos em proteínas podem ser de origem animal e vegetal. A sua origem pode variar, assim como podem variar enormemente a sua qualidade e as suas implicações para a nossa saúde a longo prazo.


As proteínas são muitas vezes consideradas como os blocos de construção para os tecidos no nosso corpo. Mas elas servem muitas outras funções importantes na regulação do corpo, como função imune de suporte e uma variedade de outros papéis em nossa fisiologia.


As proteínas são constituídas por aminoácidos. Existem 20 tipos de aminoácidos necessários para cumprir todas essas funções, mas apenas nove deles são essenciais. O que significa que nosso corpo precisa de os obter através dos alimentos.


Em geral, as fontes animais de proteínas como peixes e ovos fornecem todos os aminoácidos essenciais em concentrações suficientemente elevadas motivo pelo que são considerados alimentos de proteína completa. Em contraste, as fontes de proteínas de origem vegetal como feijão, lentilhas, nozes e tofu tendem a ser consideradas fontes incompletas de proteína. Pode até parecer que uma vez que as proteínas de origem vegetal são incompletas no seu conteúdo proteico, que são nutricionalmente inferiores em comparação com proteínas de origem animal. Mas, na verdade, os benefícios para a saúde que advém da substituição de proteínas de origem animal por vegetais superam o risco de ficar aquém dos aminoácidos essenciais. As proteínas vegetais podem ser combinadas com outros alimentos para fornecer um perfil completo de aminoácidos, como acontece com a combinação brasileira de feijão com arroz. Na verdade, existem muitas combinações de alimentos tradicionais, como milho e feijão preto ou arroz e lentilhas que são baseadas no principal da combinação de proteínas complementares.


Refeições que contêm fontes proteicas vegetais contêm mais fibra e menos gordura, especialmente gordura saturada, do que as refeições que apresentam proteínas de origem animal. Gordura que pode contribuir aos níveis elevados do colesterol de LDL. Assim, reduzir ou eliminar a ingestão de produto animal é uma ideia sensata. As pessoas que comem muitos alimentos vegetais, tem uma dieta baseada em plantas, tendem a ter uma saúde muito melhor e uma longevidade melhor do que as pessoas que comem uma dieta baseada em produto animal, nomeadamente carne. Uma dieta rica em proteínas animais, especialmente se é de baixa qualidade, como carne processada ou com grande quantidade de gordura, pode ser prejudicial para a nossa saúde, mesmo que leva à perda de peso num curto prazo, como acontece nas dietas “low carb”. As carnes processadas contêm muitas vezes nitratos, que são utilizados como conservante e que podem danificar os vasos sanguíneos e contribuir para o endurecimento das artérias."

Daniela Ricardo

(continua...)


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