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Projeto CARD - Casquilhos: Apela, Recolhe, Doa, pelo Professor João Coelho

A educação é a base de tudo! Esta é uma verdade universal, ou devia ser, e confirmada, cada vez mais, por muitas situações a que vamos assistindo no nosso mundo. Os valores e ensinamentos que nos são transmitidos em casa, são os principais pilares pelos quais regemos as nossas vidas, mas a escola também desempenha um papel fundamental no desenvolver de personalidades que farão parte da sociedade do futuro. Os Professores que vamos encontrando na nossa vida escolar, marcam-nos profundamente, quer pela positiva, quer pela negativa.


Hoje trazemos o exemplo de um Professor que, com toda a certeza, é lembrado pelos alunos com que se vai cruzando, de uma forma muito positiva. Porquê? Porque não se limita a ensinar. Percebe, e bem, que a função de um Professor vai muito além de debitar matéria, ou cingir-se às atividades dentro da sala de aula. O Professor João Coelho gosta de estimular uma série de outros interesses nas vidas dos seus alunos, e acompanha-os em todas as aventuras que lhes propõe. Sinal de generosidade, e de profundo amor e dedicação pelo que representa, realmente, ser professor.


Conhecemo-lo através do Projeto Gratitude, e rapidamente aceitou responder a algumas perguntas que lhe decidimos colocar. Quer conhecer um pouco mais do Professor João Coelho? Faça-o através das respostas que amavelmente nos cedeu.


"VA. Há quanto tempo é professor no Agrupamento de Escolas de Casquilhos? Qual a disciplina que leciona?

JC. Sou professor no AE Casquilhos desde o ano letivo de 2018/2019. Embora já tenha lecionado Geografia a turmas de 8º ano na Escola Básica da Quinta Nova da Telha, é na Escola Secundária de Casquilhos que tenho tido muito maior carga horária, a lecionar Geografia A a turmas dos 10º e 11º anos e ainda Geografia C, no 12º ano.

VA. Como e quando começou o seu interesse por desenvolver atividades que vão além de lecionar a sua disciplina?


JC. Sou professor desde 1994/1995 e desde sempre dinamizei atividades diferentes com os meus alunos. Cito como exemplos alguns intercâmbios escolares, viagens de finalistas, clubes e, mais recentemente, a participação em múltiplos projetos. Esse tipo de atividades complementam as aprendizagens dos alunos, tornando-as muito mais significativas e reforçam as relações interpessoais entre todos.

VA. Ganhou, recentemente, um prémio da AMI, no âmbito da 11ª edição do Linka-te aos Outros, uma linha de financiamento desta organização, com o Projeto CARD - Casquilhos: Apela, Recolhe, Doa, desenvolvido precisamente com alunos do Agrupamento de Escolas de Casquilhos. Pode explicar-nos que projeto é este?

JC. Há muitos anos atrás, em meados da década de 2000, juntamente com os professores de Geografia da Escola Básica 2/3 Mouzinho da Silveira, comecei a colaborar com a AMI, que vinha à escola realizar sessões de esclarecimento com alunos do 9º ano, sobre o papel da ONG na mitigação dos contrastes no desenvolvimento. Nessas sessões, a representante da AMI, a Sra. Ilda Costa, que recomendo desde já para ser entrevistada pelo Viver Alternativo, apelava sempre à prática do voluntariado. Foi através dela que tive conhecimento da existência do prémio Linka-te aos Outros, que visa apoiar financeiramente projetos de voluntariado propostos nas escolas, por alunos do 7º ao 12º ano. No AE Casquilhos continuei a convidar a AMI a vir à escola e a confirmar o interesse dos alunos pelo tema do voluntariado. Como me preocupo em envolver os alunos na comunidade, numa campanha de recolha de lixo promovida pela Associação Desportiva e Cultural dos Fidalguinhos, mobilizei alguns alunos e, por coincidência, reencontrei uma aluna do ano letivo anterior, que lá estava a participar como voluntária pelo Projeto Gratitude.


Desconhecia o projeto e pedi-lhe, então, informações sobre o mesmo. Rapidamente percebi que a intervenção do Projeto Gratitude merecia ser apoiada pelo Linka-te aos Outros e foi muito fácil estabelecer os contactos necessários. Duas das suas responsáveis, a Ana Cláudia Afonso e a Carla Almeida, foram à escola explicar o projeto a alunos dispostos a ser voluntários. Com o apoio dos respetivos encarregados de educação e apesar de estarmos no início do agravamento da pandemia, em dezembro, surgiu assim a ideia de desenvolvermos um projeto de voluntariado na Escola Secundária de Casquilhos, para colaborar com as iniciativas do Projeto Gratitude no apoio a famílias carenciadas e, simultaneamente, criar uma Loja Social na escola.


Entre 3 de dezembro e 7 de janeiro, participámos em quase todas as atividades do Projeto Gratitude, para podermos recolher informações sobre equipamentos a adquirir e elaborar a candidatura ao Linka-te aos Outros. Contamos com o apoio da Direção do Agrupamento e da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Quinta Nova da Telha; temos também parcerias com a Telha do Pão, no Barreiro, e o Restaurante Panda, em Alhos Vedros. O Projeto CARD - Casquilhos: Apela, Recolhe e Doa é aquilo que a sua própria designação significa. Numa base mensal, lançamos um apelo às escolas de todo o agrupamento para recolher um ou dois bens. Podem ser produtos alimentares ou de higiene ou ainda peças de vestuário. Depois, segue-se a fase da recolha das doações obtidas e o seu encaminhamento para o Projeto Gratitude. Constituem ainda objetivos do Projeto CARD a aquisição de estantes, recipientes reutilizáveis, caixas de arrumação e cabideiros para melhorar as condições de armazenamento e transporte dos bens doados pelo Projeto Gratitude, bem como aumentar o número de famílias apoiadas.


Paralelamente, vai ser criada a nossa Loja Social, para recolher vestuário, calçado, brinquedos, entre outros bens. Embora tenha tido origem na Escola Secundária, o Projeto CARD envolve a Escola Básica de Palhais, a Escola Básica Quinta Nova da Telha, a Escola Básica do Barreiro (antiga Escola 7) e a Escola Básica n.º9 do Barreiro. Nas cinco escolas, existem professores, assistentes operacionais, pais e alunos muito motivados a reforçar esta rede de solidariedade e apoio social e a quem dirijo os meus sinceros agradecimentos.

VA. Esperava esta distinção?

JC. O Linka-te aos Outros é um concurso lançado pela AMI a nível nacional. Embora a ficha de candidatura tenha sido preenchida de forma criteriosa, provando que as ações de voluntariado já tinham iniciado e que, independentemente do resultado, iriam ter continuidade, havia sempre a possibilidade de o Projeto CARD não ser premiado, pois a AMI distingue poucos projetos por ano. Foi com grande alegria que vimos o Projeto CARD ser um dos três contemplados deste ano. Além do nosso projeto, houve apenas um de uma escola da Covilhã e outro de Santarém que venceram connosco a 11ª edição do Linka-te aos Outros.

VA. Qual a reação dos seus alunos?

JC. Os alunos diretamente envolvidos no Projeto CARD são a Beatriz Cerqueira, a Daniela Rodrigues e o Tomás Claudino, do 11ºC, e o Bernardo Duarte, o Hugo Basílio e a Maria Tomaz, do 11ºE. Estão fortemente mobilizados para o voluntariado desde a primeira iniciativa, realizada no início de dezembro. Ficaram muito satisfeitos com a atribuição do prémio, porém o mais importante para eles é o voluntariado em si e as possibilidades que têm para intervir de forma ativa na comunidade. VA. Pode falar-nos de outros projetos que tenha desenvolvido ou esteja a desenvolver com os seus alunos?

JC. Destaco um que tive há uns anos atrás na Escola Básica Mouzinho da Silveira: primeiro, no âmbito de uma turma de Percurso Curricular Alternativo e, depois, com o Clube GeoCenas, escrevi e ensaiei peças de teatro com alunos destinadas a crianças e a jovens, desde o ensino pré-escolar até ao terceiro ciclo do ensino básico. Foi uma experiência deveras enriquecedora para todas as partes e da qual guardo excelentes recordações. Ainda hoje, quando escuto certas expressões e músicas, recordo-me automaticamente de algumas cenas das peças e sinto-me orgulhoso de ter trabalhado com alunos muito dedicados e que vejo como amigos para sempre. Mais recentemente, com a minha vinda para a Escola Secundária de Casquilhos, desde 2019/2020, encontro-me a participar no projeto Nós Propomos, promovido pelo Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa. Neste caso, os alunos são levados a realizar trabalho de campo para investigar problemas sociais, económicos e ambientais à escala do município e a apresentar soluções viáveis para os mesmos, tendo que intervir igualmente na comunidade. É um trabalho que desenvolve múltiplas competências nos alunos, já que têm de interagir com entidades públicas e privadas e a própria população.


Depois, como o projeto é de âmbito nacional e tem concursos temáticos, permite divulgar o Barreiro e, simultaneamente, dar notoriedade aos alunos da escola, através da conquista de múltiplos prémios, o que lhes aguça a motivação e a criatividade. Aproveito para informar aqui que o IGOT convidou precisamente um dos grupos da Escola Secundária de Casquilhos, participante na edição de 2020/2021 com o projeto Barreiro, Abraça o Tejo, para o representar na próxima edição da Futurália em Lisboa. Mais uma vez, cinco jovens, agora já estudantes universitários, irão ter uma experiência única perante jovens de vários estabelecimentos de ensino. Cumulativamente ao Nós Propomos, sou um dos professores coordenadores do Programa Eco-Escolas da Escola Secundária de Casquilhos e ainda o responsável pela participação da escola no projeto Jovens Repórteres do Ambiente.

VA. Porque acha tão importante o desenvolvimento deste tipo de projetos?


JC. A escola em que acredito não é uma mera transmissora de conhecimentos. Deve preocupar-se com a preparação dos alunos para os exames nacionais, mas também deve preocupar-se com o desenvolvimento de iniciativas que levem os alunos a ser cidadãos mais ativos e agentes de mudança. Mais do que nunca, Portugal precisa de reconhecer e valorizar o papel dos jovens na sociedade, para que eles resistam à tentação de emigrar e contribuam para rejuvenescer a população e dinamizar a economia. Todos os projetos que permitam aos nossos alunos alargar os seus horizontes e lhes facilitem a posterior integração na vida ativa são de extrema importância."


Professor João Coelho



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