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Andreus, um lugar chamado casa

Hoje trazemos um post sobre a minha terra. Nasci em Andreus e, apesar de já não morar lá, continuo muito ligada às minhas raízes. Numa altura em que o interior é cada vez mais procurado, descrevemo-nos hoje um local muito interessante, bonito, e calmo. Ideal para quem precisa de descansar e quer recarregar baterias. Escrito pela minha irmã, Sara André, atreva-se a "viajar" por esta magnifica aldeia.



"Andreus! Aldeia pertencente à freguesia e concelho de Sardoal, distrito de Santarém! Para mim significa "casa", o local onde regresso sempre e onde sou muito feliz. Nasci e cresci nesta aldeia, dela sai aos 21 anos, a ela volto sempre que possível. Se estou muito tempo longe é como se algo me faltasse. Eu faço parte do Andreus, assim como o Andreus faz parte de mim. Tenho o maior orgulho nesta terra, e por isso, hoje, quero levar-vos a conhecer o "meu" Andreus. Mas aviso, a viagem que vos levo fazer é muito própria, e está impregnada de memórias.



O Andreus é uma aldeia muito bonita, composta por um vasto casario, apresentando-se em ruas simpáticas, cuidadas e floridas. Algumas das casas aqui existentes ainda são as típicas casas antigas de aldeia, com dois andares, sendo que no rés-do-chão é a chamada "loja" onde se guardavam as alfaias agrícolas, o azeite e as frutas, e no 1º andar, a habitação propriamente dita. Nos últimos anos tem-se assistido à construção e reconstrução de muitas habitações, e à fixação de muitos jovens na aldeia, o que faz dela uma das mais populosas do concelho. No coração da aldeia existem dois largos, num deles o "Porto" como sempre foi conhecido pelas gentes da aldeia, é a zona comercial, e é aqui que está também sediado o único alojamento local da aldeia, o "Porto D'Abrigo".


O outro largo é o mais importante para qualquer aldeia, e aqui é chamado de "Adro". É o largo da igreja, pois com certeza, e da Associação de Moradores. É também o largo das festas. Ai as festas de Verão, a falta que fazem, as saudades que deixam. As festas de verão são, talvez, o evento mais importante para qualquer aldeia, e o Andreus não é exceção. São o ponto de encontro das gentes da aldeia. Recordo, com saudades, as festas de Verão da minha infância, recordo o cheiro do eucalipto com que era construída a barraca de chá, misturado com o cheiro do frango assado. Recordo o som das bandeirinhas de papel (feitas alguns fins-de-semana antes pelas mãos de alguns dos habitantes da aldeia) que decoravam o largo das festas e as ruas principais. Recordo a procissão, no Domingo, momento alto das festas, acompanhada pela música da Filarmónica União Sardoalense. Que voltem as festas de Verão!



A aldeia está rodeada por floresta, natureza e ar puro. Aqui respira-se tranquilidade. Deixo o largo da igreja e caminho em direção à ribeira, caminho para o meu sitio preferido da aldeia, confesso, com paisagens lindíssimas. Desço o Caminho da Senhora da Saúde, e chego à beira da ribeira. Parar e em silêncio escutar as águas desta a correrem, é uma excelente terapia contra o stress.








Percorrer os caminhos que ladeiam a ribeira, com os cheiros da vegetação e os sons dos pássaros a cantar e da água a correr é fenomenal. Observo ainda as hortas que existem aqui e ali, e o bem cuidadas que estão. Volto à minha infância, e recordo a minha horta (dos meus pais), e o quando gostava do ritual de cuidar dela, e as brincadeiras que me proporcionou.


Estou junto à ponte sobre a ribeira, e aqui posso escolher subir até ao monte dos Barbilongos, ou da Senhora da Saúde (talvez outro dia vos conte a história) onde está construída a capela da Senhora da Saúde. Desengane-se quem pensar que este é apenas um local de fé. É-o sem dúvida, mas é também um lugar de paz, tranquilidade, serenidade, de comunhão com a natureza. E não falo só do cume do monte, de onde se tem um bonita perspetiva da aldeia, mas de todo o caminho até lá chegar.



Desço o monte e passo novamente a ponte. Sigo para a esquerda, e mais uma vez delicio-me com os caminhos que percorro. Estes levam-me a outro local da minha infância, o açude. Tanto que aqui brinquei. Daqui se regam as hortas. Contemplo as águas límpidas, a queda de água que o abastece, a vegetação que por ali existe.



Depois dirijo-me à zona do "Serro" e contemplo o casario que ali existe tão bonito e bem conservado, os campos que o rodeiam tão bem cuidados. Aqui observo algumas ruinas de casas que foram, em tempos, uma nora, e tantas outras coisas. Mais uma vez a ribeira acompanha-me.





Sigo em frente e vou até ao "Vale Penedo", e perdida no meio da vegetação ergue-se as ruinas de uma casa, que foi em tempos uma azenha. A memória viaja também, mas agora no tempo, e imagino o que foi aquele sítio quando em vez de ruinas existia vida e azafama.




Volto para trás, e dirijo-me para a Fonte do Salgueiral. A aldeia tem outras fontes, mas esta talvez seja a mais conhecida. Bebo aquela água fresca e deixo-me ficar um pouco a observar o que me rodeia.



Enquanto escrevo sobre o Andreus, escuto e visualizo na minha mente os caminhos, os cheiros e os sons. Foram já muitas as vezes que percorri estes sítios, mas de todas elas o fiz com o olhar de quem o faz pela primeira vez, mas com sentimento dali pertencer. E assim é, nasci ali, cresci ali. Hoje tenho a satisfação e a felicidade de os poder calcorrear na companhia do meu filho (4 anos), e sou ainda mais feliz, porque também ele vive aquele sítio como se a ele pertencesse desde sempre.


É bom ter um sítio ao qual pertencemos de corpo e alma, e no qual sabemos que somos felizes. É o nosso sitio, é o nosso lugar. Faz tanto parte de nós, que conseguimos passar esse amor e sentimento de pertença aos nossos filhos, como se de genética se tratasse. O meu e do Rafael chama-se Andreus, e adoramos."

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